Barulho de água correndo nas calhas
Levando consigo a poeira das telhas
Embalando o sono de quem dorme a beira da janela
Em uma tarde de julho cinzenta
Tudo na casa está triste
Desde a pouca luz que entra pelo vidro
Até as plantas ao redor do aquário
Mesmos os peixinhos nadam devagar
E parecem compartilhar o sentimento desse dia
Em meio ao som da chuva só lembranças vêm à mente
Quase nenhuma tem haver com um dia assim
Afinal o que alguém teria para lembrar-se de bom em dias de solidão
Talvez se lembrar de um livro que você leu
Ou de um filme visto em um dia como esse no ano passado
Mesmo que fosse algo assim, não acredito ser um fato digno de lembrança
Tanto que ninguém lembra, muito menos você
Mas o que mexe contigo é algo que você lembra todos os dias
E não apenas nas tardes cinzentas e chuvosas de julho
É a sombra recorrente dos seus dias
São as manchas alvas nas escuras lacunas dos seus sentimentos
É a falta que eu faço em sua vida
É algo que não passa como a chuva
Que não vai embora como a poeira das telhas
Que corre de você como a água nas calhas
Continue dormindo nessa tarde cinzenta à beira da janela
Quem sabe um dia eu passe na sua rua
Mas não será em um dia de chuva.
Márcio David
10/08/2013

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