quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ao Olhar a Chuva no Campo

Olhar a chuva que cai ao longe por entre os pinheiros do largo, sobre a vila ao fim da tarde num fim de verão de um ano qualquer, que belas lembranças têm dos tempos atrás que longe dispersa em nuvens cândidas seu toque, mulher!

Em meio à lânguida noite aconselha em versos rimados um “certo” cuidado ter em seus pés, que podem levá-la quão longe de mim em trajes de gala ou e um manto perolado, o qual foi guardado num quarto largado em um canto qualquer.

Saber que tomas da noite o ar gelado do frio manto sagrado que jaz enrolado num corpo sem vida da antes linda agora adormecida sobre uma cama em dossel, no mesmo ponto marcado pelo quarto enviado dos filhos de Ariel, assim foi julgado e outrora condenado o ódio lançando sobre amores passados em fatos escritos nos livros malditos banhados em fel.

Amarga vida sua em minha vista presente em meios intransigentes de algoz e face à dor que sentia que mesmo sozinha guardava para si só, amor que trazia aos poucos esvaia do amado partia em poucas alegrias e muitas dores viriam até o fim dos dias ao qual voltaria apenas a ser pó.

Escrita minha amada tinha em folhas douradas e tinta de nanquim, num testamento assim deixavas para mim suas palavras sem dó, partias em rompante levavas da estante os livros interessantes que expulsavam de sua mente a sensação de viver só. Mas nada minha amada leva desse coração partido em dois que te fosse inteiro um dia que só a ti pertencia no agora e não no depois.

As tardes se fazem frias na estação que se aproxima em meio a dias de sol, e essa busca em que te findas traga a ti novas idas nas luzes do arrebol, o frescor da manhã seja para ti o bálsamo que alivia as feridas das marcas mal vindas escritas em tua alma escondida já que só queres ver o sol.

Márcio David
22/03/2005

“Inspirado por uma fina garoa que caia sobre o centro da cidade de Lages no dia 22 de março de 2005, à qual era visível ao longe por entre os pinheiros”

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